Este artigo investiga a vivência escolar de crianças de uma comunidade negra rural, em Campos dos Goytacazes-RJ. A pesquisa-intervenção, realizada entre 2019 e 2023 por meio de oficinas e entrevistas, revela o silenciamento dos saberes populares pela instituição escolar. Essa desapropriação de conhecimentos locais produz dificuldades de escolarização, respondidas pela escola através da culpabilização dos estudantes. O estudo destaca a medicalização da educação e da pobreza como mecanismo de controle, no qual laudos neurológicos patologizam sujeitos e individualizam problemas de ordem estrutural. A escassez de políticas públicas voltadas ao território rural agrava esse cenário, reproduzindo o sofrimento ético-político e negligenciando desigualdades sociais. O trabalho conclui que a educação do campo deve atuar na valorização das subjetividades e dos saberes tradicionais como via de emancipação da população negra rural.
This article investigates the school experience of children in the rural black community, in Campos dos Goytacazes-RJ. The research-intervention, carried out between 2019 and 2023 through workshops and interviews, reveals the silencing of popular knowledge by the school institution. This expropriation of local knowledge produces learning difficulties, answered by the school through the blaming of students. The study highlights the medicalization of education and poverty as a control mechanism, in which neurological reports pathologize subjects and individualize structural problems. The scarcity of public policies aimed at rural territory aggravates this scenario, reproducing ethical-political suffering and neglecting social inequalities. The study concludes that rural education should focus on valuing subjectivities and traditional knowledge as a pathway to the emancipation of the rural Black population.
Este artículo investiga la experiencia escolar de los niños en la comunidad negra rural, en Campos dos Goytacazes-RJ. La investigación-intervención, realizada entre 2019 y 2023 a través de talleres y entrevistas, revela el silenciamiento de los conocimientos populares por parte de la institución escolar. Esta expropiación de los conocimientos locales produce dificultades de aprendizaje, a las que responde la escuela a través de la culpabilidad de los estudiantes. El estudio destaca la medicalización de la educación y de la pobreza como mecanismo de control, en el que los informes neurológicos patologizan sujetos e individualizan problemas de orden estructural. La escasez de políticas públicas dirigidas al territorio rural agrava este escenario, reproduciendo el sufrimiento ético-político y descuidando las desigualdades sociales. El trabajo concluye que la educación del campo debe actuar en la valorización de las subjetividades y los conocimientos tradicionales como vía de emancipación de la populación negra rural.