A valorização histórica do conhecimento científico, em detrimento de formas também legítimas de interpretar a realidade, contribuiu para o silenciamento e invisibilização de saberes e grupos socioculturais. Em contraponto a essa realidade, surge a Educação Científica Intercultural (ECI). Nesse sentido, buscamos compreender a definição, a caracterização, o desenvolvimento e os desafios da Educação Científica Intercultural no ensino de ciências, a fim de inspirar educadores à adoção dessa perspectiva. Para tanto, realizamos uma Revisão Sistemática da Literatura, sintetizando informações e recomendações para colaborar com esse processo. Desse modo, o estudo consiste em uma RSL proveniente de um recorte de uma pesquisa de doutorado. Para sua produção utilizamos 50 artigos publicados entre os anos 2014 e 2024 nas bases de dados Scopus, Web of Science, Dialnet e Rede de Revistas Científicas da América Latina e Caribe, Espanha e Portugal (Redalyc). Quanto à definição, identificamos que a ECI é uma atitude sensível à diversidade cultural e se caracteriza, portanto, como um espaço de diálogo entre sistemas de conhecimento facilitado pelas convergências, mas que também reafirma e se engaja com as diferenças. A ECI tem sido desenvolvida com destaque no Sul Global, e sob diferentes perspectivas: valorização das comunidades tradicionais, bilinguismo e integração de imigrantes, sendo tais perspectivas desenvolvidas através da Etnobiologia, criação de materiais didáticos, Comunidades de Prática e formação de professores. Quanto aos desafios, destacamos barreiras estruturais e institucionais, formação docente, falta de aproximação Universidade-Escola e dificuldades na mediação cultural.