O envelhecimento populacional associa-se ao aumento da prevalência de depressão em idosos, condição frequentemente acompanhada por comprometimento cognitivo que dificulta diagnóstico e tratamento. Esta revisão narrativa analisou o estado atual da literatura científica sobre a avaliação cognitiva como ferramenta de diagnóstico e intervenção em idosos com depressão. Foi realizada busca sistemática nas bases de dados BVS, SciELO e PubMed, utilizando descritores relacionados à depressão no idoso e avaliação cognitiva, com filtros para publicações dos últimos cinco anos em português, inglês e espanhol. Dos 193 estudos inicialmente identificados, 8 foram selecionados para análise completa. Os resultados evidenciaram que instrumentos de triagem como MMSE e MoCA, embora úteis para avaliação inicial, apresentam sensibilidade e especificidade limitadas para detectar déficits sutis frequentes em quadros depressivos tardios. A avaliação neuropsicológica clínica abrangente mostrou-se mais eficaz para diferenciar comprometimentos decorrentes da depressão daqueles relacionados a doenças neurodegenerativas. Estudos recentes validaram métodos de avaliação remota como TICS-M, T-MoCA e GDS-30 por telefone, ampliando o acesso ao rastreio de comprometimento cognitivo e sintomas depressivos em populações com acesso limitado aos serviços de saúde. Conclui-se que a avaliação cognitiva em idosos com depressão deve ser abrangente, personalizada e regular, permitindo intervenções específicas para preservar a funcionalidade e qualidade de vida dessa população.