Mulheres transgêneras venezuelanas fogem da crise e da transfobia em seu país e têm o Brasil como destino buscando proteção legal. Contudo, após ingressarem no território brasileiro, confrontam-se com uma série de adversidades, envolvendo diversas formas de violência. Com isto, o objetivo deste estudo foi analisar as violências experimentadas no Brasil por mulheres transgêneras migrantes venezuelanas. Trata-se de um estudo qualitativo, realizado em Manaus e Boa Vista, com transgêneras migrantes venezuelanas. Foram realizadas nove entrevistas semiestruturadas individuais on-line e três grupos focais presenciais, totalizando 34 entrevistadas. Foi realizada análise temática reflexiva. Os dados foram categorizados em: 1) Violência (cis)cultural: ultrapassando territórios e esmagando sonhos e (trans) expectativas, que aborda a violência decorrente de diferenças culturais e a supressão das aspirações dessas mulheres; 2) Violência interpessoal: a discriminação fazendo danos físicos, que explora as agressões físicas e discriminações vivenciadas em diversos contextos; 3) Estratégias adotadas como forma de enfrentamento da violência, onde se evidenciam as estratégias adquiridas para lidar com a violência que enfrentam. Concluiu-se que a interseccionalidade, na qual envolve ser migrante, pobre e mulher transgênera faz com que essas mulheres enfrentem muitas situações de vulnerabilidade, incluindo novas formas de violência, com poucos recursos para enfrentá-las, apesar de reconhecerem a discriminação e a transfobia como causas principais.