O artigo tem como objetivo investigar a alternância entre os possessivos teu e seu em diálogos gerados pelo ChatGPT, descrevendo quantitativamente a distribuição dessas variantes conforme condicionadores linguísticos e extralinguísticos. A fundamentação teórica apoia-se, sobretudo, em Weinreich, Labov e Herzog (1968) e Labov (1972), que concebem a heterogeneidade como constitutiva do sistema linguístico, e dialoga com estudos sobre o sistema pronominal e os possessivos no português brasileiro, como Menon (1995), Oliveira e Silva (1998), Bagno (2011) e Sousa (2023). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa quantitativa e descritiva, baseada em um corpus de 79 ocorrências válidas extraídas de diálogos produzidos pelo ChatGPT em condições controladas de registro (formal e informal) e persona simulada (masculina e feminina). Os dados foram codificados segundo variáveis linguísticas e extralinguísticas e organizados com apoio do programa GoldVarb X, embora a interpretação tenha privilegiado percentuais e leitura qualitativa, em razão do tamanho reduzido da amostra. Os resultados mostram predominância de teu (61%) sobre seu (39%), em contraste com estudos anteriores com dados humanos, como Sousa (2023), nos quais seu foi majoritário. O achado mais expressivo foi a associação categórica entre teu e registro informal, de um lado, e seu e registro formal, de outro, sugerindo que a IA tende a representar a variação de modo mais rígido e esquemático do que o observado em corpora humanos.