Trabalho escravo contemporâneo e pós-resgate: políticas integradas para a ruptura do ciclo da vulnerabilidade

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ISSN: 2965-2634
Editor Chefe: Avaetê de Lunetta e Rodrigues Guerra
Início Publicação: 03/04/2023
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Multidisciplinar

Trabalho escravo contemporâneo e pós-resgate: políticas integradas para a ruptura do ciclo da vulnerabilidade

Ano: 2026 | Volume: 4 | Número: 3
Autores: Vitor Hugo Souza Moraes, Glaucia Fernanda Oliveira Martins Batalha, Maiane Cibele de Mesquita Serra
Autor Correspondente: Vitor Hugo Souza Moraes | [email protected]

Palavras-chave: Trabalho escravo contemporâneo, Pós-resgate, Ciclo da vulnerabilidade, Política emancipatória, Direitos humanos

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Resumo Português:

O artigo examina o trabalho escravo contemporâneo a partir da relação entre vulnerabilidade social, revitimização e insuficiência das respostas centradas exclusivamente no resgate e na repressão. O problema de pesquisa consiste em investigar em que medida políticas integradas de pós-resgate, analisadas a partir da experiência do Movimento Ação Integrada e de arranjos institucionais correlatos, podem contribuir para romper o ciclo da vulnerabilidade que sustenta a reincidência no trabalho escravo contemporâneo no Brasil. A hipótese sustenta que a repressão, embora indispensável, alcança apenas parte do problema, uma vez que a persistência da escravização decorre também da continuidade de fatores estruturais como pobreza, despossessão, migração precária, baixa escolarização, fragilidade das redes de proteção e déficit de reconhecimento social. O objetivo geral é analisar o potencial emancipatório de políticas integradas de pós-resgate, articulando direitos humanos, proteção social e reinserção produtiva. O referencial teórico apoia-se em autores do campo do trabalho escravo contemporâneo, da vulnerabilidade social e do reconhecimento, bem como em instrumentos normativos nacionais e internacionais. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com análise normativa e exame crítico da experiência do Movimento Ação Integrada. Os resultados indicam que o pós-resgate constitui elo decisivo e ainda insuficientemente institucionalizado da política de enfrentamento, e que iniciativas interinstitucionais de acolhimento, qualificação, proteção social e acompanhamento ampliam as possibilidades de ruptura do ciclo da vulnerabilidade. Conclui-se que a erradicação do trabalho escravo contemporâneo exige estratégia que una repressão qualificada, prevenção estrutural e políticas emancipatórias continuadas de pós-resgate.