O presente artigo apresenta os resultados da pesquisa Saberes Magüta: lugar de fala e pertencimento ancestral, desenvolvida na comunidade indígena de Otawari, localizada às margens do Alto Rio Solimões, no município de São Paulo de Olivença, no estado do Amazonas, norte do Brasil. O estudo teve como objetivo investigar literaturas indígenas a fim de compreender os processos culturais e formas identitárias dos Magüta da comunidade pesquisada. Deste modo, busca promover reflexões sobre as diferentes formas de compreensão do mundo a fim de ampliar o debate sobre a pluralidade de saberes. Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, realizada por meio de entrevistas, conversas informais, registros escritos e fotográficos, gravações e diário de campo. As escutas ocorreram em diferentes espaços da comunidade, como a casa de farinha, a cozinha durante o preparo dos moqueados, os caminhos da roça e as áreas de cultivo, favorecendo a espontaneidade das contribuições. Os entrevistados foram cinco: duas anciãs, um ancião pajé e dois sábios historiadores tradicionais, reconhecidos como guardiões dos conhecimentos culturais do povo Magüta. Os resultados evidenciam que as narrativas orais constituem importantes mecanismos de transmissão dos ensinamentos ancestrais, fortalecendo a identidade étnica, os vínculos de pertencimento e a educação tradicional. Além disso, revelam a riqueza dos saberes indígenas preservados pelos anciãos e anciãs, reafirmando seu papel fundamental na continuidade cultural e na valorização das tradições do povo étnico.