A crise climática contemporânea explicita a persistência de um padrão civilizatório fundado na colonialidade, cujos efeitos atravessam territórios, corpos e modos de subjetivação, produzindo sofrimento psíquico e vulnerabilização coletiva. No campo da Saúde Coletiva e Comunitária, tais fenômenos tensionam abordagens centradas na responsabilização individual e convocam a revisão crítica dos paradigmas de cuidado. Este artigo tem como objetivo articular Saúde Coletiva, decolonialidade, ecologia e processos de subjetivação, problematizando o trauma ecológico e a ecoansiedade como expressões de uma ferida histórica e política, e não como desordens exclusivamente individuais. Trata-se de um artigo teórico, de caráter crítico-decolonial, construído a partir da análise conceitual e do diálogo entre produções da Saúde Coletiva, da Psicologia, da Ecologia Política e das Epistemologias do Sul, com ênfase no pensamento de Nêgo Bispo e na noção de confluência. Argumenta-se que o sofrimento ambiental emerge de relações coloniais que separam humanidade e natureza, saber e território. Defende-se que a Saúde Coletiva, ao incorporar perspectivas decoloniais e saberes ancestrais, pode contribuir para práticas de cuidado territorializadas, comunitárias e ecologicamente sustentáveis, capazes de enfrentar o colapso ambiental sem reduzir o sofrimento à esfera individual.