Este artigo apresenta uma abordagem acerca do romance Carabobo (2023), de Agripino Freire. Para tal, toma-se o conceito de romance de formação e, a partir dele, são direcionados os seus usos e desvios na obra por intermédio de três vocábulos que rondam a narrativa, quais sejam: bambino, ragazzo e uomo. Faz parte dessa proposta uma leitura que considera romance de formação como uma perspectiva conceitual que se movimenta, que transita e cria os seus afluentes, por meio dos quais seja possível vislumbrar a transgressão e a mutação do gênero Bildungsroman. Desse modo, aproxima-se de uma noção de romance de formação amazônico, que por si mesmo já deflagra um desvio das fontes europeias. Ao lado de nomes como Milton Hatoum e Dalcídio Jurandir; Agripino Freire demarca as suas impressões e rasuras ao narrar uma história permeada de ganhos e perdas dentro de várias outras histórias: vida escolar, experiências profissionais, amores juvenis, iniciação à esfera pública; recordações afetivas que convergem para o seu romance inaugural, ambíguo, sinuoso e irônico, evidenciando as memórias picarescas de um protagonista tipicamente malandro. Mazzari (1999), Pressler (2020), Moretti (2020) e Candido (2023) constituem a base teórica que mobiliza as questões elencadas.