Sexo e sexualidade são socialmente organizados por representações sociais, sustentadas por linguagens que delimitam o que pode e deve ser expresso. As forças invisíveis do tabu moldam essa dinâmica, censurando a linguagem e incentivando a criação de novas denominações. Este estudo investigou como as pessoas categorizam gênero a partir das representações sociais associadas às categorias de masculino e feminino, focalizando as nomeações genitais. Com base na Teoria das Representações Sociais, foram analisados os sinônimos das lexias “pênis”, “vagina: e “vulva” presentes no Dicionário InFormal. Os resultados mostram que, embora as sinonímias de pênis e vagina/vulva apresentem uma valoração equilibrada no que diz respeito à polarização valorativa, a dicionarização evidencia um processo de subalternização. Observou-se que os diminutivos, frequentemente associados à genitália feminina, estão associados a algo amável ou de pouca importância, enquanto os sinônimos para órgão genital masculino apresentam maior frequência e representatividade nos registros dicionarizados, com menor uso de diminutivos, reforçando sua relevância na hierarquização. Esses resultados destacam a importância de repensar práticas linguísticas para promover maior equidade nas representações sociais de gênero.