Relações topofílicas em Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, de Cora Coralina

Ícone

Endereço:
Rua da Saudade, 56 - Vila Eduarda
São Luís de Montes Belos / GO
76100000
Site: https://www.revista.ueg.br/index.php/icone/index
Telefone: (64) 3671-1427
ISSN: 1982-7717
Editor Chefe: Maria Aurora Neta
Início Publicação: 01/12/2007
Periodicidade: Semestral

Relações topofílicas em Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, de Cora Coralina

Ano: 2021 | Volume: 21 | Número: 1
Autores: G. C. G. Guimaraes, J. E. P. Neto
Autor Correspondente: G. C. G. Guimaraes | [email protected]

Palavras-chave: Cora Coralina. Vivência. Beco. Topofilia. Memória.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O objetivo principal deste artigo é refletir sobre as relações topofílicas na Cidade de Goiás, em seus becos, por meio de duas obras da poeta Cora Coralina: Becos de Goiás e estórias mais e Villa Boa de Goyaz. Para tanto, foram selecionados os poemas: “Lembranças de Aninha”, “Todas as vidas”, “Becos de Goiás”, “Beco de Vila Rica”, “Minha cidade” e “Rio Vermelho”, que, sob o olhar feminino, com sua poesia expressiva e singular, apresenta-nos este espaço percorrido em suas memórias de escritora, dando-nos a oportunidade de ser conhecido entre suas tradições e transgressões. Essas ligações afetivas nos permitem realizar um estudo de valores culturais e sociais, partindo da identificação dos moradores deste lugar. Neste espaço de convivência, de acordo com os poemas analisados, encontramos as movimentações de suas vias estreitas, sujas e úmidas, num espaço revirado onde os escravos fazem seus batuques, prostitutas recebem os homens da sociedade, as mulheres transitam entre casas, crianças são castigadas por suas desobediências e o “amigo” Rio Vermelho é sempre lembrado. Neste breve artigo, há a intenção de demonstrar a relação entre o sujeito lírico e a Cidade de Goiás, num tempo e memória de muitos personagens articulados num espaço autoficcional, vivido e rememorado por Cora Coralina sem o princípio de veracidade, mas sem aderir plenamente à invenção, uma ambiguidade de realidade e ficção numa escrita de si e do outro na forma mais original de se (auto)expressar, valorizando a relação homem e lugar permeado pela imaginação e pelo processo de construção identitária e cultural.



Resumo Inglês:

This study aims to reflect about the topophilic relationships in the City of Goiás, in its alleys, through two works of the poet Cora Coralina: Becos de Goiás and more stories and Villa Boa de Goyaz in the poems: “Souvenirs of Aninha” , “All lives”, “Becos de Goiás”, “Beco de Vila Rica”, “Minha cidade” and “Rio Vermelho” which, under the feminine gaze, with its expressive and singular poetry, presents us with this space navigated in her memories as a writer, giving her the opportunity to be known among their traditions and transgressions. These affective connections allow us to carry out a study grounded on the cultural and the social values, based on the identification of the inhabitants of this place. In this coexistence space, according to the aforementioned poems, we find the movements of its narrow, dirty and humid roads, in an overturned space where slaves do their drumming, prostitutes receive men from society, women go and return one from the house of another, children are punished for their disobedience and the “friend” Rio Vermelho is always remembered. In this brief study, the intention is to demonstrate how the relation between the lyrical subject, in a time and memory of many characters articulated in a self-fictional space, lived and remembered by Cora Coralina without the principle of veracity, but without fully adhering to the invention, an ambiguity of reality and fiction in a typical writing of herself and the other through the most original way of (self) expressing themselves, valuing the relation between man and place permeated by imagination and by the process of construction of cultural identity