Este artigo analisa o acesso da população transgênero aos serviços de saúde, com foco no processo transexualizador. O objetivo é identificar quais são os impeditivos ao acesso integral à saúde pública, considerando as etapas de saúde-doença-cuidado, relativos espacialmente ao(s) processo(s) transexualizador(es), concebendo o cuidado que considere as singularidades dessa população como primazia. Trata-se de pesquisa qualitativa de natureza documental e bibliográfica, baseada em uma revisão integrativa de literatura e análise de documentos e materiais discursivos. Utilizou-se a ótica foucaultiana, especialmente no que tange à linguagem e ao discurso como um sistema de saber-poder. Os resultados demonstram o despreparo dos profissionais responsáveis pela execução dos serviços de saúde para a população trans e, portanto, uma discrepância entre o que promulga a lei e suas matizes pragmáticas. O despreparo manifesta-se, por exemplo, na recusa do uso do nome social e dos respectivos pronomes. Este cenário é fomentado pela cisheteronormatividade, que se configura como mecanismo de controle e interdição no campo da saúde coletiva.