Este artigo explora as concepções de Piaget, Vygotsky e Winnicott sobre o brincar no desenvolvimento infantil e na constituição psíquica. Para Piaget, o jogo é um processo de assimilação, no qual a criança incorpora o mundo externo às suas estruturas mentais, reorganizando o pensamento conforme os estágios cognitivos. Vygotsky enfatiza o brincar como mediação social. No "faz de conta", a criança age além de seu comportamento habitual, internalizando regras e desenvolvendo a autorregulação e a abstração. Já Winnicott oferece uma perspectiva psicanalítica, situando a brincadeira no espaço potencial — uma área intermediária entre a realidade interna e externa, fundamental para a saúde emocional e a formação do self. O estudo ressalta que o conhecimento dessas bases é imprescindível para que o educador supere visões reducionistas. Embora as terminologias variem, há convergência no reconhecimento da atividade lúdica como prática livre, simbólica e regida por regras. Assim, busca-se fundamentar a prática pedagógica articulando teorias clássicas ao cotidiano da Educação Infantil. Nesse contexto, analisa-se o papel do professor como mediador. A qualidade do brincar não é puramente espontânea; depende da intencionalidade pedagógica na organização de espaços e materiais. Superando o "espontaneísmo", o docente assume-se como agente fundamental, transformando o lúdico em um ambiente de construção de conhecimentos e vínculos afetivos. Dessa forma, o brincar deixa de ser apenas recreação para tornar-se uma prática planejada e alinhada aos objetivos educacionais, respeitando a complexidade do desenvolvimento humano.