O trabalho analisa o romance Longe do Reno – uma resposta a Vianna Moog, de Bayard de Toledo Mércio, sob a perspectiva da Ecocrítica. Para tanto, investiga de que modo a natureza e a relação entre humano e ambiente são representadas na obra, com foco na paisagem cultural e simbólica do Vale do Paranhana, região marcada pela imigração alemã no Rio Grande do Sul e cenário em que se desenvolve a narrativa. A pesquisa justifica-se pela escassez de estudos ecocríticos voltados à literatura do Vale do Paranhana e pela relevância da obra de Mércio como registro das relações entre memória, identidade e território. Fundamenta-se nos aportes teóricos de Greg Garrard, Cheryll Glotfelty e Lawrence Buell, articulando conceitos como paisagem, identidade, pertencimento, agência da natureza e tropos ecológicos. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e interpretativa, de caráter analítico-descritivo, fundamentada na leitura ecocrítica do romance em questão. A análise demonstra que a natureza é ressignificada na narrativa para além de mero cenário, por apresentá-la como força simbólica e ativa, capaz de impor limites, afetar os corpos, organizar a experiência das personagens e participar da constituição da identidade imigrante. Desse modo, o romance representa a paisagem do Vale do Paranhana como espaço de memória, pertencimento e conflito, evidenciando como a narrativa articula natureza, cultura e imigração no contexto sul-rio-grandense.