Envelhecer com dignidade não é apenas uma questão biológica, mas o resultado de escolhas e condicionamentos financeiros que se acumulam ao longo de décadas. Esta revisão integrativa estudou os efeitos dos padrões de consumo e da formação de reservas financeiras sobre o bem-estar na velhice, a partir da análise de 13 estudos publicados entre 2015 e 2026. Os achados revelam um paradoxo inquietante: embora a maioria das pessoas reconheça a importância de poupar para a aposentadoria, mais da metade da população brasileira situa-se nos níveis mais baixos de preparação financeira para a inatividade profissional, e três em cada quatro indivíduos jamais calcularam quanto precisariam acumular para manter seu padrão de vida. Esse déficit não se explica apenas pela escassez de renda. Vieses comportamentais como a procrastinação e a ancoragem cognitiva, aliados a desigualdades estruturais de gênero, raça e classe social, revelam que o problema é tão sociológico quanto econômico. A análise evidencia ainda que o crédito consignado, frequentemente apresentado como solução, pode operar como mecanismo de aprofundamento da vulnerabilidade de idosos de baixa renda, configurando formas sistemáticas de violência financeira. Em contrapartida, a educação financeira, o suporte familiar e o engajamento produtivo na maturidade emergem como fatores protetores de grande importância. Conclui-se que o bem-estar na longevidade não se constrói apenas com poupança individual. Exige educação financeira desde a infância, planejamento, regulação efetiva do mercado de crédito e políticas públicas sensíveis às assimetrias que tornam o envelhecimento digno um privilégio de poucos.