O artigo analisa as percepções de grupos tradicionais (pescadores, extrativistas, apicultores e militares) sobre as mudanças climáticas no bioma Pantanal, especificamente nas sub-regiões de Porto Murtinho e Nabileque, em Mato Grosso do Sul, a partir de entrevistas com 10 participantes com mais de 50 anos. Os resultados revelam um diagnóstico unânime de colapso do ciclo de inundação e da pesca, atribuído ao desmatamento, queimadas, barragens no planalto e assimetria legal com o Paraguai, gerando escassez de pescado, êxodo juvenil, falência da economia local e sensação de abandono estatal. A pesquisa conclui que a crise é multidimensional, exigindo políticas públicas integradas que conciliem eficácia ambiental e justiça social, por tratar-se de uma questão civilizatória que coloca em xeque a relação entre sociedade e natureza.