Nossa investigação teórica analisa um Lacan criticado pelo filósofo Alain Badiou, como um antifilósofo, mediando o desejo do sujeito como o desejo do outro. Segundo Badiou o Lacan da antifilosofia começa quando o sujeito supera o antiédipo. Logo, o sujeito de Lacan é incondicionado, promotor do impulso subjetivo que invisivelmente escapou de uma ordem sensória inteira de metas, freudiana. Todavia o desejo no sujeito é único e se emancipou como sujeito narcísico, sujeito como tal. Este o é, em sua própria lei, em sua ausência de lei. Badiou propõe Lacan em sentido ontológico a tarefa antifilosófica de romper com o domínio freudiano da palavra sobre a mente humana ao investigar os enganos linguísticos do sujeito. Ocorre então uma diferenciação entre o desejo de Lacan e o desejo de Freud que aquele assumiu como sujeito de linguagem a partir de seus conceitos de inconsciente. Em Lacan, o desejo do outro pode também ser crível e sabê-lo por mim. Assim, o desejo do homem, é o desejo do Outro. Com efeito, o amor, será o amor do Outro em eterno devir porque segundo Lacan o amor sempre faz signos recíprocos. Para designar esse deslocamento do conhecimento do desejo para Freud, Lacan cunhou a linguagem do nome do pai inconsciente, a porta de entrada de sua antifilosofia.