Este artigo tem como objetivo analisar discursos de uma campanha sobre HIV, produzida pelo Ministério da Saúde, que envolvem participantes homens gays e que (con)vivem com HIV; compreender como essas identidades, ser gay e (con)viver com HIV, são representadas — isoladamente ou sobrepostas — nos discursos dos participantes; assim como discutir como os participantes reagem a essas identidades. Para que isto fosse possível, o estudo foi realizado seguindo uma metodologia de pesquisa qualitativa e os dados foram discutidos à luz da abordagem teórico-metodológica da Análise Crítica do Discurso, dos estudos queer, e da interseccionalidade. Os resultados demonstram que as identidades dos participantes são representadas sobrepostas, ou seja, há uma inter-relação — social e histórica — entre ser gay e viver com HIV. Vê-se também que os participantes reagem a essas identidades com resistência, ressignificando os discursos estigmatizantes que foram (re)produzidos ao longo dos mais de 40 anos de epidemia do HIV/Aids e que tentam associar e marginalizar as duas identidades sociais aqui analisadas.