Este artigo tem como objetivo analisar o diálogo linguístico-literário entre as narrativas em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e a literatura escrita, a partir de uma perspectiva sociocultural da surdez. Fundamentado em pesquisa de natureza teórica, o estudo discute o reconhecimento das narrativas em Libras como produção literária legítima, bem como suas interfaces com a literatura escrita e com a educação bilíngue de surdos. A análise evidencia que as narrativas em Libras mobilizam recursos expressivos próprios da modalidade visual-espacial, como simultaneidade, iconicidade e corporalidade, configurando formas singulares de literariedade. Os resultados apontam que o diálogo entre Libras e literatura escrita, quando estabelecido de forma crítica e não hierarquizada, contribui para a ampliação do conceito de literatura, para a valorização da cultura surda e para o fortalecimento de práticas educacionais bilíngues. Conclui-se que reconhecer a literatura surda como parte integrante do campo literário é fundamental para a promoção da diversidade linguística e cultural no âmbito acadêmico e educacional.