Resumo Português:
o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, é enquadrado por compêndios no
Realismo brasileiro. Contudo, essa classificação parece não dar conta da amplitude do que o
referido livro propõe, pois a obra é permeada por índices de indeterminação e contravenções
do código realista. Por conseguinte, chamar a narrativa das obsessões de Bentinho de realista
exigiria reconsiderar o que vem a ser tal termo, no mínimo. Para pensar como Dom Casmurro
dá mostras de manter-se com fôlego até o nosso século, conduzi uma análise comparativa,
trazendo os contos “A quinta história” (1964), de Clarice Lispector; “Desenredo” (1967), de
Guimarães Rosa; “Estão apenas ensaiando” (2000), de Bernardo Carvalho; “A figurante”
(2003), de Sérgio Sant’Anna; “Encontros na península” (2009), de Milton Hatoum. Como
fundamentação teórica, adotei Giorgio Agamben (2007), Terry Eagleton (2006), Massaud
Moisés (1974) e Leyla Perrone-Moisés (2006). Metodologicamente, este estudo é uma pesquisa
bibliográfica. Por fim, as obras examinadas apontam como as palavras são um dos indícios de
nossa condenação à liberdade, em virtude de serem elas essa chave imperfeita para a
inconstante massa em que residimos.
Resumo Espanhol:
la novela Dom Casmurro, de Machado de Assis, es enmarcada por compendios en
el Realismo brasileño. Sin embargo, esa classificación parece no dar cuenta de la amplitud de
lo que dicho libro propone, pues la obra está impregnada por índices de indeterminación y
contravenciones del código realista. Consecuentemente, llamar la narración de las obsesiones
de Bentinho de realista exigiría reconsiderar lo que viene a ser tal término, al menos. Para
pensar como Dom Casmurro da muestras de mantenerse con aliento hasta nuestro siglo,
condujo un análisis comparativo, trayendo los cuentos “A quinta história” (1964), de Clarice
Lispector; “Desenredo” (1967), de Guimarães Rosa; “Estão apenas ensaiando” (2000), de
Bernardo Carvalho; “A figurante” (2003), de Sérgio Sant'Anna; “Encontros na península”
(2009) de Milton Hatoum. Como fundamentación teórica, adopté Giorgio Agamben (2007),
Terry Eagleton (2006), Massaud Moisés (1974) y Leyla Perrone-Moisés (2006).
Metodológicamente, este estudio es una investigación bibliográfica. Por fin, las obras
examinadas apuntan como las palabras son uno de los indicios de nuestra condenación a la
libertad, en virtud de que son esa clave imperfecta para la inconstante masa en que residimos.