O presente trabalho tem como objetivo analisar a temática da morte nas obras Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e Toti Cadabra, de Arménio Vieira. A investigação parte do pressuposto de que há um diálogo intertextual e temático entre os autores, refletindo tanto aproximações estéticas quanto sociais. Considerando a influência da literatura brasileira na produção literária cabo-verdiana, especialmente no tocante à recepção crítica de autores nordestinos, o estudo destaca o modo como a morte é representada como consequência de condições socioeconômicas precárias. Com base em análises textuais orientadas por Massaud Moisés (1972), o trabalho evidencia que, embora ambos os autores retratem a morte como fruto de uma vida severa e marginalizada, Cabral ainda aponta para uma possibilidade de resistência e esperança, enquanto Vieira apresenta a morte como fim inevitável. Conclui-se que a leitura cruzada dessas obras revela não apenas um intercâmbio literário entre Brasil e Cabo Verde, mas também uma crítica contundente às desigualdades sociais.