A expansão acelerada da inteligência artificial generativa no ambiente acadêmico tem provocado reconfigurações profundas nos modos de produção, validação e circulação do conhecimento científico. Ferramentas baseadas em modelos de linguagem de grande escala, capazes de produzir textos coerentes, sintetizar literatura e estruturar argumentos complexos, introduzem desafios inéditos às noções tradicionais de autoria, originalidade e integridade acadêmica. O presente estudo analisa criticamente as implicações da inteligência artificial para a autoria acadêmica, problematizando conceitos como responsabilidade intelectual, plágio, coautoria algorítmica e ética na pesquisa. Parte-se da premissa de que a IA não deve ser compreendida apenas como instrumento técnico neutro, mas como tecnologia que interfere nos processos cognitivos, na autonomia autoral e nos critérios de avaliação científica. Discute-se o tensionamento entre inovação tecnológica e preservação dos princípios da produção científica, examinando diretrizes recentes de periódicos internacionais, políticas institucionais e documentos orientadores sobre o uso responsável de IA na escrita acadêmica. Argumenta-se que a incorporação dessas ferramentas exige redefinição conceitual da autoria, sem abdicar da centralidade da responsabilidade humana sobre o conteúdo produzido. Conclui-se que a inteligência artificial impõe a necessidade de atualização normativa e epistemológica no campo acadêmico, demandando equilíbrio entre o potencial de apoio cognitivo e a garantia de autenticidade, rigor metodológico e ética científica.