O presente artigo analisa a infraestrutura domiciliar na cidade de Belém (PA), a partir dos dados do Censo Demográfico de 2022, articulando as dimensões da vulnerabilidade socioespacial, da informalidade urbana e da desigualdade estrutural. Parte-se da hipótese de que a precariedade infraestrutural não constitui um fenômeno isolado, mas resulta de processos históricos de urbanização seletiva e exclusão fundiária. Metodologicamente, adota-se uma abordagem quantitativa-qualitativa, baseada na análise de indicadores censitários relacionados a saneamento, abastecimento de água, coleta de resíduos, densidade populacional e perfil socioeconômico da população residente em aglomerados subnormais. Os resultados mostram uma forte assimetria na provisão de serviços urbanos, marcada pela elevada cobertura de coleta de lixo e presença de instalações sanitárias, contrastando com déficits persistentes no acesso à rede de esgoto e ao abastecimento de água. Verifica-se, ainda, que a informalidade urbana constitui padrão dominante de ocupação, concentrando mais da metade da população em territórios de elevada densidade e vulnerabilidade socioambiental. Conclui-se que a universalização da infraestrutura urbana em Belém exige políticas integradas, orientadas pela justiça territorial e pela articulação entre saneamento, habitação e planejamento urbano.