Este ensaio é sobre a homossexualidade e a família em Cabo Verde por lentes da Psicanálise; a escrita implicada é do primeiro autor e a análise foi supervisionada pelas demais autoras. Para tanto, precisou-se escultar um cabo-verdiano gay, Sebastian (nome fictício), através do Método (Auto)Biográfico para alcançar os seguintes objetivos: i) compreender a construção identitária de si, através do “mergulho” na história de vida, engendrada na intimidade familiar e nas reverberações no cotidiano da vida; e ii) identificar os eventos/fatos marcantes no processo da construção de si como gay a fim de trazer à tona o que esses eventos/fatos fizeram e o que foi feito com suas repercussões. Essa imersão revelou o gay ostracizado da comunidade familiar por sua sexualidade negada; confirmando a hipótese de que as trocas relacionais na família são influenciadoras do processo da construção de si gay, no caso de Sebastian, no sentido da interdição; demonstrando que na intimidade familiar, não há o suporte para uma identidade gay afirmada, mas execrada e com reverberações excludentes no cotidiano situado em Cabo Verde – país tradicionalmente católico, espólio do passado colonial, desempenhando funções importantes na vida cultural e social, incluindo a família, figurada como pilar fundamental do desenvolvimento da pessoa.