Objetivo: descrever a tendência temporal e a distribuição espacial da toxoplasmose gestacional em territórios de vulnerabilidade socioambiental. Métodos: estudo descritivo e observacional, com abordagem temporal e espacial a partir de registros laboratoriais de gestantes submetidas a exames sorológicos para detecção de infecção por Toxoplasma gondii. As análises incluíram frequências relativas, avaliação de tendência e agrupamento espacial para identificação de padrões territoriais de suscetibilidade. Resultados: verificou-se predominância de imunidade adquirida e proporção elevada de gestantes suscetíveis. A partir de 2020, observou-se discreta inversão do perfil sorológico, sugerindo redução da exposição ambiental ao parasito. A suscetibilidade mostrou-se mais elevada entre adolescentes e mulheres jovens. A análise espacial evidenciou três padrões territoriais: alta, intermediária e baixa suscetibilidade com maior imunidade na região norte e maior vulnerabilidade no centro-sul do estado. Conclusão: os achados indicam transição sorológica da toxoplasmose gestacional, com aumento relativo de gestantes suscetíveis em áreas específicas do território, reforçando a importância da triagem precoce, do reteste das suscetíveis e da regionalização das ações de vigilância. Contribuições para a prática: o estudo subsidia o aprimoramento da vigilância da toxoplasmose gestacional, orientando intervenções territorializadas no pré-natal, priorização de áreas vulneráveis e fortalecimento das políticas públicas.
Objective: to describe the temporal trend and spatial distribution of gestational toxoplasmosis in territories marked by socioenvironmental vulnerability. Methods: an observational study with a time-spatial approach based on laboratory records of pregnant women subjected to serological tests to detect infection by Toxoplasma gondii. The analyses included relative frequencies, trend assessments and spatial clustering to identify territorial susceptibility patterns. Results: predominance of acquired immunity and a high proportion of susceptible pregnant women were verified. A discrete inversion in the serological profile was observed from 2020 onwards, suggesting a reduction in environmental exposure to the parasite. Susceptibility proved to be higher among adolescents and young women. The spatial analysis evidenced three territorial patterns: High, Intermediate and Low susceptibility, with better immunity in the North area and more vulnerability in the Midsouth part of the state. Conclusion: the findings indicate a gestational toxoplasmosis serological transition, with a relative increase in the number of susceptible pregnant women in specific areas of the territory, reinforcing the importance of early screening, of retesting susceptible subjects and of regionalizing surveillance actions. Contributions to practice: the study supports improving the surveillance for gestational toxoplasmosis, guiding territorialized interventions during the pre-natal period, prioritizing vulnerable areas and strengthening public policies.