Este artigo, recorte de uma pesquisa de mestrado dedicada à análise da presença do imaginário na obra de Dalcídio Jurandir, tem como objetivo examinar o processo de construção simbólica da personagem Alfredo em Três casas e um rio (2018), especialmente em sua travessia para Marinatambalo e no caminho para Belém. Nessa trajetória, observa-se a tensão entre o real e o imaginário, que se manifesta tanto nas experiências individuais de Alfredo quanto na representação coletiva da sociedade amazônica. Com base em uma metodologia de abordagem qualitativa, de natureza analítico-interpretativa, investiga-se como o imaginário funciona como espaço de elaboração simbólica das angústias e superações da personagem, marcando o rito de passagem do menino ao homem. Os resultados indicam que a travessia constitui um movimento interior de autoconhecimento e reconstrução identitária, articulando desejo de pertencimento e superação do medo e da marginalidade. Conclui-se que, ao transformar o espaço amazônico em cenário do imaginário, Jurandir constrói uma narrativa de autoconhecimento e pertencimento ao articular o movimento individual de amadurecimento à dimensão coletiva da experiência regional, fazendo com que a Amazônia funcione não apenas como espaço geográfico, mas como categoria simbólica que traduz a complexa interação entre o real e o imaginário na constituição do ser.