Partindo das memórias de um grupo de lésbicas hoje idosas, examinamos neste artigo como, em sua juventude, essas mulheres performatizaram suas identidades em Belo Horizonte, uma cidade marcada pelo seu forte conservadorismo social e político nas décadas de 70 a 90. Para a coleta dos dados, foram realizadas entrevistas em profundidade com 21 lésbicas nascidas entre as décadas de 1930 e 1960. O conjunto das histórias de vida coletadas ilumina a resiliência e a engenhosidade com a qual se organizavam, enfatizando a importância das estratégias performativas para o estabelecimento de conexões entre pares em contextos repressivos. Identificamos que os modos pelos quais elas performaram o gênero e incorporaram uma estética visual específica emergiram como uma estratégia importante para a vivência de seus afetos proibidos de forma relativamente segura. Apesar do ambiente opressivo em que viviam, foram capazes de reconhecer e localizar umas às outras, formar laços e estabelecer uma rede de solidariedade e apoio. A compreensão dessas experiências históricas contribui para discussões em andamento no campo das identidades, resistências e mudanças sociais.