Este artigo tem como objetivo central analisar as identidades de jovens umbandistas na intersecção entre terreiro e escola, compreendendo como esses sujeitos negociam seus pertencimentos religiosos e culturais em contextos marcados por intolerância religiosa. A abordagem teórica fundamenta-se nos Estudos Culturais, dialogando com autores como Canclini (1995), Hall (2001), Kellner (2001), Bauman (2005) e Silva (2014), que concebem a identidade como um processo dinâmico construído a partir de sistemas culturais e significados compartilhados. O foco de análise incide sobre as "encruzilhadas de saberes" - cruzamento de conhecimentos que permeiam a trajetória social do jovem umbandista - e os "despachos" - encaminhamentos dados a esses saberes. Os resultados preliminares apontam para identidades juvenis umbandistas negociadas entre visibilidade e invisibilidade, manifestações do sagrado no corpo e nos artefatos culturais, e a complexa relação intercultural estabelecida entre os conhecimentos do terreiro e da escola.