O objetivo deste trabalho é realizar uma análise crítica de discurso, inspirada em Fairclough (2013) dos pronunciamentos de Damares Alves, no Conselho de Direitos Humanos da ONU e na III Cúpula Demográfica de Budapeste, ambos realizados em 2019. O objetivo era compreender os sentidos atribuídos à família e como a família era mobilizada para a discussão de diferentes agendas. Dialoga-se com parte da literatura que aponta as raízes do neoconservadorismo na convergência entre neoliberalismo e conservadorismo, ao identificarem processos de crise nas famílias (COOPER, 2017; BROWN, 2019) e reflexões críticas sobre a dimensão performativa do conceito de crise (GILBERT, 2019; (ROITMAN,2016). A escolha pelos eventos deve-se à repercussão dos discursos, sobretudo em relação ao alinhamento conservador de defesa da família e da nação. Evidencia-se como o posicionamento da ministra corrobora a noção da família nuclear heterossexual como base primária da sociedade, impactando inclusive a formulação de políticas públicas.