Este trabalho analisa a batalha discursiva em torno dos significados sobre paternidade nas redes sociais. A presença de um homem trans numa campanha publicitária sobre o “dia dos pais” de uma empresa de cosméticos disparou a convocação ao boicote à empresa protagonizada por um conhecido pastor evangélico neopentecostal. Baseados na teoria da individuação e conectados a uma perspectiva de linguagem insubordinada, conhecida como Linguística Queer, analisamos os efeitos de sentido dos discursos em disputa. Apontamos que a cisheteronormatividade se apresenta na forma de batalhas discursivas que pretendem regular, autorizar, punir e (des)legitimar os corpos que podem ser socialmente reconhecidos como “pais de verdade”.