Este artigo apresenta resultados de um estudo qualitativo, descritivo-interpretativo, baseado em 12 entrevistas semiestruturadas com professores(as) de arte que atuam nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio em escolas estaduais de um município de Minas Gerais. O objetivo do trabalho é compreender a realidade da prática educativa do componente curricular de Arte, especialmente o ensino de artes visuais com foco na leitura, interpretação e compreensão de obras artísticas em sala de aula. A análise transversal organizou o corpus empírico em seis eixos: formação; documentos normativos e carga horária; polivalência e condições materiais/tecnológicas; conteúdos e metodologias; apreciação e compreensão de obras; sentidos e finalidades do ensino de arte. Os resultados indicam: heterogeneidade de trajetórias dos docentes e predominância de formações em modalidade EAD; ausência de política regular de formação continuada; carga horária reduzida (uma aula semanal) e polivalência; precariedades de infraestrutura que limitam a recepção artística em sala de aula; e tensões marcantes na compreensão discente da arte contemporânea, exigindo mediações docentes específicas. Conclui-se pela necessidade de políticas públicas de formação e desenvolvimento profissional docente orientada à leitura de obras, ao conhecimento do repertório contemporâneo e ao desenvolvimento de estratégias de mediação interpretativa que considerem as condições reais das escolas.