Este estudo insere-se no campo da educação, abordando o tema do desempenho educacional e sua relação com as desigualdades sociais no contexto da gestão pública. A investigação parte da constatação de que os indicadores educacionais, frequentemente utilizados como instrumentos neutros de avaliação, desconsideram os condicionantes sociais que influenciam os resultados escolares, o que conduz à questão de pesquisa: em que medida esses indicadores podem ser considerados instrumentos neutros diante da influência das desigualdades sociais sobre o desempenho educacional? Para responder a essa problemática, o objetivo geral consiste em: analisar criticamente o desempenho educacional e sua relação com a reprodução das desigualdades, à luz da teoria crítica e da gestão pública, problematizando a utilização de indicadores educacionais como parâmetros de qualidade. Como objetivos específicos, busca-se: (1) compreender a relação entre desigualdades sociais e desempenho educacional; (2) analisar os limites dos indicadores educacionais enquanto instrumentos de avaliação; e (3) refletir sobre o papel da gestão educacional na reprodução ou enfrentamento das desigualdades no contexto escolar. A pesquisa justifica-se pela relevância de ampliar o debate sobre qualidade educacional, sobretudo diante da crescente centralidade dos indicadores nas políticas públicas. Teoricamente, fundamenta-se em Bourdieu (1992), Paula (2012), Nascimento e Alves (2025) entre outros estudos empíricos que abordam essa temática. O caminho metodológico, de abordagem qualitativa e natureza bibliográfica, apoia-se na análise de um corpus composto por produções acadêmicas que utilizam dados do ENEM, SAEB e estudos sobre a expansão do ensino médio, gerado por meio de levantamento e análise documental. Os resultados evidenciam que o desempenho educacional está fortemente condicionado por fatores socioeconômicos, revelando a não neutralidade dos indicadores educacionais, bem como seus limites enquanto instrumentos de avaliação da qualidade. Conclui-se que a utilização desses indicadores requer uma análise crítica e contextualizada, contribuindo para a construção de políticas educacionais mais equitativas no âmbito da gestão pública.