Introdução: As transformações sociais, culturais e tecnológicas das últimas décadas modificaram significativamente a compreensão e o manejo do sofrimento psíquico. Da geração dos Baby Boomers à Geração Alpha, observa-se a transição de um cenário marcado por estigmatização e silenciamento para maior visibilidade e valorização do cuidado em saúde mental. Paralelamente, a psiquiatria evoluiu de um modelo institucional para abordagens mais humanizadas e preventivas, embora surjam desafios contemporâneos, como o risco de medicalização de experiências inerentes à vida cotidiana. Referencial Teórico: A análise geracional evidencia mudanças na forma de expressar e reconhecer o sofrimento mental. Enquanto gerações anteriores tendiam à repressão emocional e à somatização, as mais recentes ampliaram o vocabulário afetivo e a busca por acompanhamento terapêutico, em um contexto fortemente influenciado pela tecnologia e pelas redes sociais. Metodologia: Trata-se de revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo, com análise de publicações científicas entre 2020 e 2025, organizadas conforme recorte geracional e modelos psiquiátricos predominantes. Resultados e Discussão: Os achados indicam que, embora o sofrimento psíquico seja constante na experiência humana, suas formas de manifestação e reconhecimento variaram ao longo do tempo. A ampliação do debate público e do acesso ao cuidado contribuiu para maior visibilidade dos transtornos mentais; contudo, também favoreceu a possível patologização de vivências existenciais normativas, especialmente em contextos de pressão social e hiperconectividade digital. Conclusão: Verifica-se ampliação do acesso aos cuidados em saúde mental e redução do estigma ao longo das gerações. Entretanto, permanece o desafio de equilibrar acolhimento e rigor diagnóstico, promovendo práticas clínicas fundamentadas em evidências e sensíveis às especificidades geracionais.