A África é um dos precursores do mundo em termos de políticas de integração. Já na década de 1960, a Organização da Unidade Africana tinha 32 estados sob uma carta comum. Além disso, por meio de projetos conjuntos com parceiros latino-americanos e asiáticos, os estados africanos participaram de algumas das principais experiências da Cooperação Sul-Sul, principalmente nas áreas de saúde e infraestrutura. Levando em conta esse contexto histórico, este artigo examina como a realidade altamente competitiva da pandemia de COVID-19 impactou o continente. Argumentamos que as restrições impostas pelo surto do novo coronavírus fortaleceram o papel da União Africana no avanço da ação coletiva e incentivaram a autossuficiência. Além disso, analisamos como a Cooperação Sul-Sul ofereceu uma plataforma de resposta imediata quando o acesso a suprimentos médicos disputados no mercado mundial era difícil. Concluímos que a crise do COVID-19 contribuiu para consolidar a integração regional africana a longo prazo, bem como a sua coordenação com os países emergentes parceiros, com consequências para as prioridades da União Africana em termos de relações exteriores no futuro.
Africa is one of the world's forerunners in terms of political integration. Already in the 1960s, the Organisation of African Unity had 32 states united under a common charter. Moreover, through joint projects with Latin American and Asian partners, African states have joined some of the primary experiences of South-South Cooperation, particularly in the areas of healthcare and infrastructure. Taking this historical context into account, this paper examines how the highly competitive reality of the COVID-19 pandemic has impacted the continent. We argue that the constraints imposed by the new coronavirus outbreak have strengthened the African Union's role in advancing collective action and encouraged self-sufficiency. Furthermore, we analyse how South-South Cooperation offered a platform for immediate response when access to disputed medical supplies in the world market was difficult. We conclude that the COVID-19 crisis has contributed to consolidating African regional integration in the long-term, as well as its coordination with partner emerging countries, with consequences for the African Union’s priorities in terms of foreign affairs in the future.