A CONFEDERAÇÃO AFRICANA DE FUTEBOL (CAF) E A COPA AFRICANA DE NAÇÕES (CAN) COMO EXEMPLOS DE UM PAN-AFRICANISMO EFETIVO: UMA BREVE DISCUSSÃO

Revista Brasileira de Estudos Africanos

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ISSN: 24483907
Editor Chefe: Analúcia Danilevicz Pereira
Início Publicação: 31/05/2016
Periodicidade: Bianual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Ciências Sociais Aplicadas, Área de Estudo: Multidisciplinar

A CONFEDERAÇÃO AFRICANA DE FUTEBOL (CAF) E A COPA AFRICANA DE NAÇÕES (CAN) COMO EXEMPLOS DE UM PAN-AFRICANISMO EFETIVO: UMA BREVE DISCUSSÃO

Ano: 2025 | Volume: 10 | Número: 20
Autores: Guilherme Silva Pires de Freitas, Felipe Antonio Honorato
Autor Correspondente: Guilherme Silva Pires de Freitas | [email protected]

Palavras-chave: Copa Africana de Nações, Confederação Africana de Futebol, Futebol, Pan-africanismo, Integração regional

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O pan-africanismo é uma ideologia que tem duas ideias básicas em seu cerne: "a herança comum dos povos de ascendência africana em todo o mundo e o mandato dos povos africanos de trabalhar pelos interesses e bem-estar uns dos outros em todos os lugares". Ao longo dos anos, o pan-africanismo transformou-se em uma ideologia mobilizadora: um projeto de desenvolvimento e uma estratégia para alcançar a unidade política na África por meio da cooperação continental. Este artigo discute, por meio de uma análise e síntese da pesquisa existente, como a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Copa Africana de Nações (CAN) são exemplos de um pan-africanismo efetivo nas décadas seguintes à descolonização. Para isso, é feita uma revisão histórica do lapso de tempo entre o fim do colonialismo europeu e a disseminação do pan-africanismo na África até os dias atuais, mostrando como tanto a CAN quanto a CAF foram usadas para o reforço de identidades nacionais e regionais, para a integração regional e a projeção internacional de África. A CAF foi fundada em 1957 por apenas quatro países. Ela conquistou importante independência política ao longo das décadas e hoje é uma das organizações mais influentes e ricas de África. Principal torneio de futebol masculino do continente, a Copa Africana de Nações, popularmente conhecida como CAN, também nasceu na esteira dos processos de independência africanos. Disputado pela primeira vez em 1957 por apenas três equipes — Sudão, Egito e Etiópia —, o evento cresceu e, ao longo dos anos, passou a abranger novas nações africanas que emergiram da luta pela emancipação, ajudando a semear o ideal do pan-africanismo. O futebol rapidamente se mostrou uma importante ferramenta diplomática, política e de integração para os líderes da África independente. Isso pode ser visto, por exemplo, no apoio dado pelas confederações africanas à candidatura do brasileiro João Havelange à presidência da FIFA.



Resumo Inglês:

Pan-Africanism is an ideology that has two basic ideas at its core: “the common heritage of people of African descent throughout the world and the mandate of African peoples to work for each other's interests and well-being everywhere”. Through the years, it was transformed into a mobilizing ideology: a development project and a strategy to achieve political unity in Africa through continental cooperation. This paper discusses, through an analysis and synthesizing of the existing research, how the Confederation of African Football (CAF) and the African Cup of Nations (AFCON) are examples of an effective Pan Africanism in the decades following decolonization. For this, an historical overview of the timelapse from the end of European colonialism and the dissemination of Pan-Africanism within Africa to nowadays is made, showing how both AFCON and CAF have been used for reinforcement of national and regional identities, regional integration and international projection of Africa. The Confederation of African Football was founded in 1957 by only four countries. It gained important political independence over the decades and today is one of the most influential and wealthiest organizations in Africa. Africa's main men's football tournament, the African Cup of Nations, popularly known as AFCON, was also born in the wake of independence on the continent. Played for the first time in 1957 by just three teams — Sudan, Egypt and Ethiopia —, the event grew and over the years began to encompass new African nations that were emerging from the emancipation struggle, helping to sow the ideal of Pan-Africanism. Football quickly proved to be an important diplomatic, political and integration tool for the leaders of independent Africa. This could be seen, for example, through the support given by African confederations for the candidacy of Brazil’s João Havelange for the presidency of FIFA.