Este artigo analisa as dinâmicas de assédio moral, assédio sexual e discriminação vivenciadas por professores(as) temporários(as) da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), em um contexto marcado pela precarização estrutural das relações de trabalho docente. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, combinando dados quantitativos oriundos de uma enquete anônima aplicada a 224 docentes temporários e análise qualitativa de depoimentos escritos, articulada a uma perspectiva de observação participante de inspiração etnográfica reflexiva. Os resultados indicam elevada prevalência de experiências de violência institucional, com 90,2% dos respondentes relatando ter vivenciado ou presenciado situações de assédio ou discriminação no ambiente escolar. O assédio moral emerge como a forma mais recorrente de violência, seguido por episódios significativos de assédio sexual e práticas discriminatórias associadas à condição contratual, gênero, raça, identidade de gênero, origem e variante linguística. A autoria das agressões é atribuída predominantemente a gestores escolares, evidenciando a centralidade das hierarquias institucionais na produção dessas violências. Testes de associação por meio do Qui-quadrado de Pearson confirmam que tais práticas estão estatisticamente associadas à posição hierárquica dos agressores, ao gênero das vítimas e aos impactos sobre a saúde mental dos docentes. Conclui-se que a precarização do vínculo empregatício atua como fator estrutural de vulnerabilização e silenciamento, demandando o fortalecimento de políticas institucionais de prevenção, acolhimento e responsabilização no âmbito da rede pública de ensino.