Assédio moral, sexual e discriminação na Secretaria de Educação do Distrito Federal

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ISSN: 2965-2634
Editor Chefe: Avaetê de Lunetta e Rodrigues Guerra
Início Publicação: 03/04/2023
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Multidisciplinar

Assédio moral, sexual e discriminação na Secretaria de Educação do Distrito Federal

Ano: 2026 | Volume: 4 | Número: 1
Autores: Carlos Enrique Musse Torres
Autor Correspondente: Carlos Enrique Musse Torres | [email protected]

Palavras-chave: assédio moral, assédio sexual, Discriminação, professores substitutos, xenofobia, SEEDF

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Resumo Português:

Este artigo analisa as dinâmicas de assédio moral, assédio sexual e discriminação vivenciadas por professores(as) temporários(as) da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), em um contexto marcado pela precarização estrutural das relações de trabalho docente. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, combinando dados quantitativos oriundos de uma enquete anônima aplicada a 224 docentes temporários e análise qualitativa de depoimentos escritos, articulada a uma perspectiva de observação participante de inspiração etnográfica reflexiva. Os resultados indicam elevada prevalência de experiências de violência institucional, com 90,2% dos respondentes relatando ter vivenciado ou presenciado situações de assédio ou discriminação no ambiente escolar. O assédio moral emerge como a forma mais recorrente de violência, seguido por episódios significativos de assédio sexual e práticas discriminatórias associadas à condição contratual, gênero, raça, identidade de gênero, origem e variante linguística. A autoria das agressões é atribuída predominantemente a gestores escolares, evidenciando a centralidade das hierarquias institucionais na produção dessas violências. Testes de associação por meio do Qui-quadrado de Pearson confirmam que tais práticas estão estatisticamente associadas à posição hierárquica dos agressores, ao gênero das vítimas e aos impactos sobre a saúde mental dos docentes. Conclui-se que a precarização do vínculo empregatício atua como fator estrutural de vulnerabilização e silenciamento, demandando o fortalecimento de políticas institucionais de prevenção, acolhimento e responsabilização no âmbito da rede pública de ensino.