Este artigo discute a formação histórica dos sistemas nacionais de ensino e suas implicações no contexto brasileiro, com ênfase nas dimensões ético-políticas e nas concepções de cidadania presentes na organização escolar. Parte-se da compreensão de que a escola, desde sua consolidação vinculada aos Estados-nação, esteve atrelada a projetos políticos e ideológicos que, muitas vezes, contribuíram para a manutenção de desigualdades sociais e para a reprodução de privilégios. Ao longo da análise, são abordadas as influências das correntes liberais na constituição dos sistemas educacionais, evidenciando como tais perspectivas limitaram o caráter universal, democrático e público da educação. No caso brasileiro, observa-se que a estrutura educacional foi historicamente marcada por processos de exclusão, ainda que avanços tenham ocorrido por meio de lutas sociais e políticas públicas. O texto também problematiza a relação entre educação e cidadania, destacando que a escola não é neutra e que sua organização reflete disputas sociais mais amplas. Por fim, defende-se a necessidade de resgatar o sentido público da educação e fortalecer a escola como espaço de formação crítica e democrática, comprometida com a ampliação efetiva dos direitos e da participação social.