O avanço das tecnologias digitais e o acesso crescente à internet têm transformado o cenário educacional, tornando-o mais dinâmico e inclusivo. Nesse contexto, a acessibilidade e a personalização dos recursos tecnológicos se tornaram fundamentais para garantir o direito à educação de pessoas com deficiência, conforme previsto na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2007), na Lei nº 5.296/2004 e na Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Considerando que o TEA exige abordagens específicas de ensino, as tecnologias assistivas têm se mostrado ferramentas valiosas para apoiar o processo de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo dessas crianças. No entanto, ainda é necessário compreender se os aplicativos disponíveis atendem de forma efetiva às suas necessidades sensoriais e cognitivas, sobretudo no que diz respeito à interface do usuário. Este estudo tem como objetivo avaliar comparativamente três aplicativos educacionais voltados ao ensino de matemática (123 Autismo, LogicLike e Todo Math), aplicando as diretrizes do modelo GAIA (Guidelines for Autism-Inclusive Applications) para analisar a adequação das interfaces às recomendações de acessibilidade e design inclusivo. Os resultados evidenciam que, embora os aplicativos apresentem interfaces claras e acessíveis, existem limitações relacionadas à falta de recursos de customização, o que reduz a adaptabilidade das ferramentas às diferentes particularidades do público autista. O estudo contribui para o aprimoramento das práticas de design educacional inclusivo, propondo recomendações para o desenvolvimento de interfaces mais flexíveis e sensíveis às demandas das crianças com TEA.