Aborto legal e direitos reprodutivos femininos: concepções de trabalhadoras da enfermagem de uma maternidade pública paulistana

Cadernos de Gênero e Diversidade

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ISSN: 25256904
Editor Chefe: Felipe Bruno Martins Fernandes
Início Publicação: 31/12/2015
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Aborto legal e direitos reprodutivos femininos: concepções de trabalhadoras da enfermagem de uma maternidade pública paulistana

Ano: 2019 | Volume: 5 | Número: 3
Autores: A. C. A. Siqueira, A. A. D. Modesto, M. T. Couto, C. Cabral, R. Machin
Autor Correspondente: A. C. A. Siqueira | [email protected]

Palavras-chave: aborto legal, mulheres trabalhadoras, pessoal da saúde, identidade de gênero, pesquisa qualitativa

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O referencial teórico e legal de direitos reprodutivos brasileiros foram delineados a partir dos preceitos da Organização Mundial da Saúde, na perspectiva de extrapolar os aspectos biomédicos alcançando os determinantes sociais do processo saúde-doença e das relações de gênero. A temática do aborto, criminalizado no país, está inserida no debate e implementação das normas e condutas para os profissionais de saúde, incluindo a equipe de enfermagem. Este artigo objetiva explicitar concepções de trabalhadoras da enfermagem de uma maternidade pública paulistana acerca dos impactos do aborto (legal/inseguro) e desfechos reprodutivos relacionados a este sobre seu cotidiano do trabalho. Trata-se de investigação qualitativa, realizada entre 2016 e 2017, com uso de observações participantes e dez entrevistas em profundidade. O conjunto desse material empírico foi analisado por técnica de triangulação de métodos e o processo analítico foi desenvolvido sob referencial conceitual hermenêutico-filosófico dando origem a duas categorias temáticas: “A enfermagem tem sexo”: contextualizando o serviço investigado; O aborto provocado e os desfechos reprodutivos a ele associados Foi possível depreender que as trabalhadoras da enfermagem tinham dificuldade em lidar com o aborto, sinalizando os desafios da superlotação, poucos funcionários e desamparo técnico/psicológico que permeavam esse enfrentamento. Explicitaram julgamentos controversos frente à temática, ora solidários, ora pejorativos. Conclui-se que a experiência cotidiana de trabalho em contextos agravados pela carência de recursos materiais e suporte psicológico era fonte de angústia e desgaste para as entrevistadas e se faz necessário desvelar suas concepções sobre o aborto para efetivação do cuidado pautado na humanização.