O Líquen Plano Oral (LPO) é uma doença inflamatória crônica e imunomediada, de etiologia incerta, que demanda manejo clínico focado na remissão dos sintomas, controle da inflamação e monitoramento contínuo. O artigo apresenta revisão narrativa da literatura sobre a abordagem clínica e terapêutica do LPO. Realizaram-se buscas nas bases PubMed e SciELO, utilizando os termos “oral lichen planus” e “treatment” e as suas respectivas traduções em por-tuguês “líquen plano bucal” – “tratamento”, sem restrição de período. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas, revisões narrativas, relatos de caso e diretrizes clínicas, com o objetivo de obter um panorama atualizado sobre o tema. Os resultados sugerem que pacientes assintomáticos não necessitam de intervenção, enquanto os sintomáticos, com lesões atrófi-cas ou ulceradas, o tratamento é indicado e visa reduzir a inflamação, controlar os sintomas, promover a cicatrização e prevenir complica-ções funcionais. Os corticosteroides tópicos são a primeira escolha terapêutica, ao passo que casos graves ou refratários podem de-mandar corticosteroides sistêmicos, imu-nossupressores, imunomoduladores, terapias biológicas ou tratamentos cirúrgicos, que apresentam limitações e requerem uso crite-rioso. O acompanhamento clínico periódico é fundamental para a detecção precoce de eventual transformação maligna. O manejo do LPO é desafiador e exige abordagem indi-vidualizada com acompanhamento contínuo para ajuste terapêutico e monitoramento clí-nico. São necessários estudos que desenvol-vam terapias mais seguras e com menos efei-tos adversos. Dadas as repercussões clínicas e psicossociais da doença, o cuidado multi-disciplinar envolvendo cirurgiões-dentistas, médicos, dermatologistas, patologistas, pro-fissionais de saúde mental e nutricionistas é fundamental para assegurar a integralidade do tratamento.
Oral Lichen Planus (OLP) is a chronic, immune-mediated inflammatory disease of uncertain etiology that requires clinical management focused on symptom remission, inflammation control, and continuous monitoring. This article presents a narrative review of the literature on the clinical and therapeutic approach to OLP. This review was conducted using the PubMed and SciELO databases, using the search terms “oral lichen planus” and “treatment” and their respective Portuguese translations “íquen plano bucal” and “tratamento” without any time restriction. Original articles, systematic reviews, narrative reviews, case reports, and clinical guidelines were included to provide an up-to-date overview of the topic. The results suggest that asymptomatic patients do not require intervention, whereas symptomatic patients with atrophic or ulcerated lesions should receive treatment aimed at reducing inflammation, controlling symptoms, promoting healing, and preventing functional complications. Topical corticosteroids seem to be the first-line treatment, while severe or refractory cases may require systemic corticosteroids, immunosuppressants, immunomodulators, biological therapies, or surgical treatments – of which have limitations and require cautious use. Periodic clinical follow-up is essential for the early detection of potential malignant transformation. Managing OLP is challenging and demands an individualized approach with continuous follow-up for therapeutic adjustment and clinical monitoring. Further studies are needed to develop safer therapies with fewer adverse effects. Given the clinical and psychosocial impact of the disease, multidisciplinary care involving dentists, physicians, dermatologists, pathologists, psychological care providers, and nutritionists is essential to ensure comprehensive treatment.