Este artigo examina a relação singular do Papa Francisco com a Palavra de Deus, evidenciando o que Jean-Pierre Sonnet designa como um verdadeiro “magistério das metáforas”. Em vez de recorrer a sistemas teológicos abstratos, Francisco privilegia narrativas bíblicas vivas, capazes de surpreender, deslocar e libertar. Imagens como o Deus das surpresas, a Igreja em saída, o pastor com cheiro de ovelhas e a Igreja samaritana testemunham uma reativação da força narrativa das Escrituras a serviço da pastoral. Esse estilo inscreve-se numa hermenêutica da inovação: bebendo no texto antigo, Francisco dele faz brotar o novo sem romper com a tradição. O exemplo do Bom Samaritano ilustra sua convicção de que a Bíblia não é apenas para ser compreendida, mas para agir na consciência do fiel. O texto detém-se ainda em duas metáforas de ordem têxtil particularmente caras ao papa: o texto como tecido vivo e a Igreja como tenda a ser alargada, imagens de uma comunidade em caminho, aberta e acolhedora. O artigo conclui que as metáforas de Francisco constituem um legado pastoral duradouro, prolongando a Palavra de Deus numa linguagem acessível, viva e transformadora.
Cet article examine la relation singulière que le pape François entretient avec la Parole de Dieu, en mettant en évidence ce que Jean-Pierre Sonnet nomme un véritable « magistère des métaphores ». Plutôt que de recourir à des systèmes théologiques abstraits, François privilégie des récits bibliques vivants, capables de surprendre, de déplacer et de libérer. Des images telles que le Dieu des surprises, l’Église en sortie, le pasteur qui sent ses brebis ou l’Église samaritaine témoignent d’une réactivation de la force narrative des Écritures au service de la pastorale. Ce style s’inscrit dans une herméneutique de l’innovation : puisant dans le texte ancien, François en fait jaillir du neuf sans rompre avec la tradition. L’exemple du Bon Samaritain illustre sa conviction que la Bible n’est pas seulement à comprendre, mais à faire agir dans la conscience du croyant. L’article s’attarde également sur deux métaphores d’ordre textile particulièrement chères au pape : le texte comme tissu vivant et l’Église comme tente à élargir, images d’une communauté en chemin, ouverte et accueillante. L’article conclut que les métaphores de François constituent un héritage pastoral durable, prolongeant la Parole de Dieu dans une langue accessible, vivante et transformatrice.