Vozes da violência: o malear do martelo

Odisseia

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ISSN: 1983-2435
Editor Chefe: Samuel Anderson de Oliveira Lima e Marcelo da Silva Amorim
Início Publicação: 31/07/2008
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Letras, Área de Estudo: Linguística

Vozes da violência: o malear do martelo

Ano: 2024 | Volume: 9 | Número: 1
Autores: F. C. L. Ribeiro
Autor Correspondente: F. C. L. Ribeiro | [email protected]

Palavras-chave: corpo, ironia, linguagem, violência, verso livre

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A obra o martelo, da pernambucana Adelaide Ivánova, apresenta características decoloniais que degradam o sentido literal por meio de vozes trabalhadas em um contínuo contraposto. Demonstrando a violenta opressão contra o corpo feminino, na linguagem, o martelonos remete, com ironia calculada e reiteração sarcástica de assertivas, ao estupro, à homofobia e à violência contra a mulher em diversos âmbitos, com quebras, “marteladas”, que rompem a lógicasintagmática, transigindo a ordem. A voz de quem esconde um martelo sob o travesseiro envereda o leitor para a repleta perplexidade, com animalizações, teor desumanizante, denunciador, que se em vezes nos leva a visualizar o sangue, a agressividade, a dor da mulher, de súbito também nos desvela a insurgência feminilao medo e enuncia sem recalques os próprios desejos.



Resumo Inglês:

The work the hammer, by Adelaide Ivánova from Pernambuco, presents decolonial characteristics that degrade the literal meaning through voices worked in a continuous counterpoint. Demonstrating the violent oppression against the female body, in language, the hammer sends us, with calculated irony and sarcastic reiteration of assertions, to rape, homophobia and violence against women in various areas, with cracks, “hammering”, that break syntagmatic logic, compromising the order. The voice of someone hiding a hammer under the pillow sends the reader into full perplexity, with animalizations, dehumanizing, denouncing content, which sometimes leads us to visualize the woman's blood, aggressiveness, pain, suddenly also reveals to us the feminine insurgency to fear and enunciates her own desires without repression.