Violência e Saúde: Concepções de Profissionais de uma Unidade Básica de Saúde

REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA

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Editor Chefe: Sergio Tavares de Almeida Rego
Início Publicação: 31/08/1977
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Medicina

Violência e Saúde: Concepções de Profissionais de uma Unidade Básica de Saúde

Ano: 2011 | Volume: 35 | Número: 3
Autores: Cristiano Claudino Oliveira, Margareth Aparecida Santini de Almeida, Ione Morita
Autor Correspondente: Cristiano Claudino Oliveira | [email protected]

Palavras-chave: Violência, Profissional de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Educação em Saúde.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) brasileiro
definem violência como fenômeno multicausal, de múltiplas manifestações, cujas consequências afetam
também o setor da saúde. Objetivos: Identificar concepções dos profissionais de uma Unidade
Básica de Saúde (UBS) sobre violência. Métodos: A metodologia desenvolvida foi qualitativa, identificando-
se as representações sociais sobre violência. Realizaram-se 17 entrevistas semiestruturadas,
audiogravadas, cujo conteúdo foi analisado pela identificação de núcleos recorrentes nas falas dos
sujeitos. Resultados: Independentemente da formação, os profissionais reconheceram a pluralidade
da violência, destacando suas manifestações, revelando, porém, despreparo para sua abordagem, reflexo
da formação fundamentalmente biomédica. A violência, nessa comunidade, é subnotificada, pois
a população é intimidada pelo problema, e o profissional não consegue abordá-lo. Conclusão: A violência
subnotificada nessa localidade representa um microcosmo das fragilidades do sistema de saúde
na capacitação de profissionais e assistência multidisciplinar, justificando a inserção da temática da
violência na agenda da saúde pública.



Resumo Inglês:

The World Health Organization (WHO) and the Brazilian Ministry of Health define
violence as a multi-causal phenomenon with multiple manifestations whose outcomes affect the
healthcare sector, among others. Objectives: The study aimed to identify perceptions of violence
among professionals in a primary healthcare service. Methods: The methodology was qualitative,
identifying social representations of violence. Seventeen semi-structured interviews were conducted
and audio-taped. The content was analyzed for recurrent core themes in the subjects’ statements.
Results: Regardless of their training, the professionals acknowledged the plural nature of violence
and emphasized its manifestations. However, they displayed a lack of preparedness to deal with violence,
thus reflecting their essentially biomedical training. Violence in the community in question is
underreported, since the local population is intimidated by the problem, and health professionals are
unprepared to deal with it. Conclusion: Underreported violence in this community reveals weaknesses
in the healthcare system to train professionals and organize multidisciplinary care, thus justifying
the inclusion of violence on the public health agenda.