A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal

Ano: 2026 | Volume: 37 | Número: 55
Autores: Daniel Vecchio
Autor Correspondente: Daniel Vecchio | [email protected]

Palavras-chave: Capitalismo, Revolução, Socidade industrial, Narrativa saramaguiana, Representação

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Neste estudo, iremos refletir como José Saramago, sob uma perspectiva marxiana, representa o grupo de cegos protagonizado em Ensaio sobre a cegueira, cegos que passam a viver de uma forma cada vez mais instintiva, a se confundir muitas vezes com o meio de vida dos antigos nômades e caçadores-coletores. Em nossa leitura, trata-se essa estratégia de uma tentativa de Saramago representar não somente um momento regressivo fundamentado na “arracionalidade” humana, mas sobretudo um momento pós-revolucionário com base na noção de “comunidade espontânea” que Marx utiliza para pensar as esferas profissionais das famílias ou tribos pré-capitalistas. Com isso, veremos que a nova sociedade representada no final do romance se vê potencialmente livre das imposições do estado e do mercado, o que convida o leitor a uma retomada utópica a partir da gênese de um novo organismo representado pelo grupo de cegos, nos apontando, assim, para outras formas possíveis de se relacionar em sociedade.



Resumo Inglês:

In this study, we will reflect on how José Saramago, from a Marxian perspective, represents the group of blind people in Blindness, whose members begin to live in an increasingly instinctive way, often confusing themselves with the way of life of nomads. In our view, this strategy is an attempt by Saramago to represent not only a regressive moment, but above all a post-revolutionary moment based on the notion of “spontaneous community” that the German philosopher uses to think about the professional spheres of pre-capitalist families or tribes. As a result, we see that the new society represented at the end of the novel is freed from the impositions of the state and the market, which leads to a utopian revival based on the genesis of a new organization, in consideration to the blind people, pointing to other possible ways of social relation.