As religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda, constituem pilares da identidade cultural do Brasil. Apesar de sua relevância, enfrentam um paradoxo contemporâneo: ao mesmo tempo em que ganham reconhecimento institucional, sofrem com a persistência da intolerância religiosa, reflexo do racismo estrutural. Nesse contexto, este artigo analisa como as estratégias de resistência dessas tradições se reconfiguraram, transitando de práticas históricas de sincretismo para uma luta política por direitose visibilidade. O objetivo é investigar o impacto de políticas públicas recentes, notadamente a patrimonialização pelo IPHAN e a implementação da Lei 10.639/03, na valorização e preservação dessas práticas religiosas. A metodologia, de abordagem qualitativa e fundamentada na Antropologia Interpretativa de Clifford Geertz, baseia-se em revisão bibliográfica e análise documental de legislações e pareceres institucionais. Conclui-se que, embora os avanços legais representem uma conquista fundamental, eles sãoinsuficientes para superar as barreiras do preconceito. A análise revela que os terreiros se consolidam como espaços centrais não apenas de culto, mas de resistência política e fortalecimento da identidade afrodescendente na sociedade brasileira.
Afro-brazilianreligions, such as Candomblé and Umbanda, are pillars of Brazil's cultural identity. Despite their relevance, they face a contemporary paradox: while gaining institutional recognition, they continue to suffer from persistent religious intolerance, a reflection of structural racism. In this context, this article analyzes how the resistance strategies of these traditions have been reconfigured, shifting from historical practices of syncretism to a political struggle for rights and visibility. The objective is to investigate the impact of recent public policies—notably their recognition as cultural heritage by IPHAN (Brazil's National Historical and Artistic Heritage Institute) and the implementation of Law 10.639/03—on the valorization and preservation of these religious practices. Grounded in Clifford Geertz's Interpretive Anthropology, the qualitative methodology involves a literature review and a documentary analysis of legislation and institutional reports. The study concludes that although legal advancements represent a fundamental achievement, they are insufficient to overcome the barriers of prejudice. The analysis reveals that terreiros (Afro-Brazilian places of worship) are consolidating their role as central spaces not only for worship but also for political resistance and the strengthening of Afro-descendant identity in Brazilian society.
Las religiones afrobrasileñas, como el Candomblé y la Umbanda, constituyen pilares de la identidad cultural de Brasil. A pesar de su relevancia, enfrentan una paradoja contemporánea: al mismo tiempo que obtienen reconocimiento institucional, sufren la persistencia de la intolerancia religiosa, reflejo del racismo estructural. En este contexto, este artículo analiza cómo las estrategias de resistencia de estas tradiciones se han reconfigurado, transitando de prácticas históricas de sincretismo a una lucha política por los derechos y la visibilidad. El objetivo es investigar el impacto de políticas públicas recientes, especialmente su declaración como patrimonio por parte del IPHAN (Instituto del Patrimonio Histórico y Artístico Nacional) y la implementación de la Ley 10.639/03, en la valorización y preservación de estas prácticas religiosas. La metodología, de enfoque cualitativo y fundamentada en la Antropología Interpretativa de Clifford Geertz, se basa en la revisión bibliográfica y el análisis documental de legislaciones e informes institucionales. Se concluye que, si bien los avances legales representan un logro fundamental, son insuficientes para superar las barreras del prejuicio. El análisis revela que los terreiros (lugares de culto afrobrasileños) se consolidan como espacios centrales no solo de culto, sino también de resistencia política y fortalecimiento de la identidad afrodescendiente en la sociedad brasileña.