Reinventar futuros: a cidade hostil e um novo flâneur na narrativa portuguesa hipercontemporânea

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

Reinventar futuros: a cidade hostil e um novo flâneur na narrativa portuguesa hipercontemporânea

Ano: 2026 | Volume: 37 | Número: 55
Autores: Paulo Ricardo Kralik Angelini
Autor Correspondente: Paulo Ricardo Kralik Angelini | [email protected]

Palavras-chave: Literatura portuguesa hipercontemporânea, Cidade, Natureza, Flâneur

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O romance português hipercontemporâneo apresenta, seja formalmente, seja tematicamente, uma série de elementos desafiadores à crítica, que precisa readequar suas ferramentas teóricas de análise. Essas novas obras exigem, como afirmam Alan Shapiro e Ana Paula Arnaut, novos olhares e novas perspectivas de abordagem. Este estudo pretende debater, portanto, um dos tantos eixos que irradiam desse conjunto complexo de textos: a percepção da cidade, do centro urbano, como espaço de esgotamento e de opressão. Essa temática, sabe-se, não é propriamente nova na literatura, mas é evidente a reincidência e a potencialização desse tópico nos textos publicados muito recentemente, em sintonia com a própria percepção da nossa realidade global. Neste sentido, serão resgatados exemplos de obras que se ocupam dessa recorrência e trazem tanto personagens à deriva nas grandes cidades, esmagados pela tecnologia, pela produtividade no trabalho, como o próprio espaço urbano enquanto ambiente nocivo ao humano, em textos de autores como Joana Bértholo, Catarina Gomes, Manuel Bivar, Rui Couceiro, Ivone Mendes da Silva, entre outros. O que emerge nesses textos é uma redefinição da natureza como mecanismo de sobrevivência, acompanhando o advento de um novo tipo de flâneur. Como apoio teórico, serão resgatados autores como Walter Benjamin, Marc Augé, Giles Lipovetsky, Ana Paula Arnaut, Byung-Chul Han, Robert Park, Zygmunt Bauman.



Resumo Inglês:

The hyper-contemporary Portuguese novel presents, both formally and thematically, a range of elements that pose significant challenges to literary criticism, which, in turn, must revise and adapt its theoretical frameworks of analysis. These newly produced works demand, as Alan Shapiro and Ana Paula Arnaut claim, renewed outlooks and fresh analytical perspectives. This study therefore aims to explore one of many axes radiating from this complex corpus of texts: the perception of the city, of the urban center, as a space of exhaustion and oppression. While this theme is by no means novel within the literary tradition, its recurrence and intensification in very recent publications is noteworthy, reflecting broader perceptions of contemporary global reality. In this context, the study will draw on examples of literary works that explore this recurring motif, portraying characters adrift in large urban spaces – overwhelmed by technology and the pressures of labor productivity – as well as depicting the urban environment itself as fundamentally detrimental to human well-being. Authors such as Joana Bértholo, Catarina Gomes, Manuel Bivar, Rui Couceiro, Ivone Mendes da Silva, among others, will be considered. What emerges in these texts is a redefinition of nature as survival mechanism, accompanying the advent of a new kind of flâneur. Theoretical grounding will be provided by thinkers such as Walter Benjamin, Marc Augé, Gilles Lipovetsky, Ana Paula Arnaut, Byung-Chul Han, Robert Park, and Zygmunt Bauman.