Este artigo analisa a obra de Primo Levi a partir da articulação entre literatura, ciência e a crise da racionalidade no século XX, com ênfase em sua produção ficcional. Propõe-se uma aproximação metodológica entre os estudos de história e memória e os textos literários de Levi, ampliando os horizontes da historiografia diante de eventos extremos como o Holocausto. A abordagem adota como referência a aproximação entre a história e a linguagem literária formulada por Ivan Jablonka, que conjuga rigor documental, sensibilidade narrativa e compromisso ético, permitindo pensar a ficção como meio legítimo de construção do conhecimento histórico. Nesse escopo, o artigo se estrutura em três eixos: 1) a historiografia que sustenta Levi como testemunha “exemplar”, contraposta à riqueza narrativa e epistemológica de sua obra literária; 2) a crítica à racionalidade científica moderna em Levi, discutida à luz da “gramática da ciência” de Ludwig Wittgenstein; e 3) a análise do conto “Borboleta Angélica”, do livro Históriasnaturais, como exemplo da crítica de Levi à tecnociência nazista e à linguagem científica como instrumento de violência. Ao integrar teoria, literatura e história, o estudo propõe uma leitura renovada da obra de Levi e de seus potenciais para a escrita dahistória.
This article analyzes the work of Primo Levi through the articulation between literature, science, and the crisis of rationality in the 20th century, with an emphasis on his fictional production. It proposes a methodological approach between historical andmemory studies and Levi’s literary texts, expanding the horizons of historiography when faced with extreme events such as the Holocaust. The approach is based on the perspective formulated by Ivan Jablonka, which merges documentary rigor, narrative sensitivity, and ethical commitment, allowing fiction to be considered a legitimate means of constructing historical knowledge. The article is structured around three axes: 1) the historiographical tradition that frames Levi as an “exemplary” witness, contrastedwith the narrative and epistemological richness of his literary work; 2) Levi’s critique of modern scientific rationality, discussed in light of Ludwig Wittgenstein’s “grammar of science”; and 3) the analysis of the short story Angelic Butterfly, from thebook Natural Histories, as an example of Levi’s critique of Nazi technoscience and of scientific language as an instrument of violence. By integrating theory, literature, and history, this study proposes a renewed reading of Levi's work and its potential contributions to historical writing.
Este artículo analiza la obra de Primo Levi a partir de la articulación entre literatura, ciencia y la crisis de la racionalidad en el siglo XX, con énfasis en su producción ficcional. Se propone un enfoque metodológico que vincula los estudios históricos y de la memoria con los textos literarios de Levi, ampliando los horizontes de la historiografía ante eventos extremos como el Holocausto. La aproximación toma como referencia la perspectiva formulada por Ivan Jablonka, que combina rigor documental, sensibilidad narrativa y compromiso ético, permitiendo pensar la ficción como un medio legítimo de construcción del conocimiento histórico. El artículo se estructura en tres ejes: 1) la historiografía que sitúa a Levi como testigo “ejemplar”, contrapuesta a la riqueza narrativa y epistemológica de su obra literaria; 2) la crítica de Levi a la racionalidad científica moderna, discutida a la luz de la “gramática de la ciencia” de Ludwig Wittgenstein; y 3) el análisis del cuento “Mariposa Angélica”, del libro Historias Naturales, como ejemplo de la crítica de Levi a la tecnociencia nazi y al lenguaje científico como instrumento de violencia. Al integrar teoría, literatura e historia, el estudio propone una lectura renovada de la obra de Levi y de sus potencialidades para la escritura de la historia.