Ofélia mestiça: adaptação pós-colonial no game Elsinore (Golden Glitch, 2019)

Odisseia

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ISSN: 1983-2435
Editor Chefe: Samuel Anderson de Oliveira Lima e Marcelo da Silva Amorim
Início Publicação: 31/07/2008
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Letras, Área de Estudo: Linguística

Ofélia mestiça: adaptação pós-colonial no game Elsinore (Golden Glitch, 2019)

Ano: 2024 | Volume: 9 | Número: 1
Autores: P. de S. Melo
Autor Correspondente: P. de S. Melo | [email protected]

Palavras-chave: adaptação, colonialidade, games, literatura, Shakespeare

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo analisa o jogo de videogame Elsinore, desenvolvido pelo grupo Golden Glitch em 2019, como um exemplo de adaptação pós-colonial do clássico literário Hamlet de Shakespeare. Por meio da obra de Hutcheon (2013) e Stam (2008), argumenta que a adaptação vai além de uma suposta fidelidade ao texto adaptado e pode ser também uma expressão política que destaca as perspectivas de personagens marginalizados. No jogo, a protagonista, Ofélia, é uma jovem nobre mestiça presa em um loop temporal que o jogador deve desvendar. A análise de Elsinore contribui para a discussão de questões de mestiçagem e pertencimento social a partir da perspectiva dos estudos da colonialidade. Em adição, ajuda a integrar esses debates no contexto dos jogos digitais, contribuindo também para os estudos de adaptação. Por fim, conclui que Elsinore é uma obra que tem valor estético e político, mas que ainda carece de discussões mais profundas sobre seu valor enquanto produção decolonial.



Resumo Inglês:

This paper analyzes the game Elsinore, developed by the group Golden Glitch in 2019, as an example of a postcolonial adaptation of Shakespeare's literary classic Hamlet. Through the work of Hutcheon (2013) and Stam (2008), the paper argues that adapting goes beyond a supposed fidelity to the adapted text and can also be a political expression that highlights the perspectives of marginalized characters. In the game, the protagonist, Ophelia, is a young mixed-race noblewoman trapped in a time loop that the player must unravel. The analysis of Elsinore contributes to discussing issues of racialization and social belonging from the perspective of coloniality studies. In addition, it also helps to integrate these debates in the gaming context, thus contributing to adaptation studies. Finally, it concludes that Elsinore is a work that has aesthetic and political value. However, it still lacks deeper discussions about its value as a decolonial production.