Este artigo discute a autoria em séries audiovisuais contemporâneas, fazendo uma reflexão sobre como essa noção, constituída discursivamente, atua na legitimação artística das obras, e propõe modos de abordagem para a crítica e formas de interação para espectadores. Parte-se do debate da política dos autores nos Cahiers du Cinèma e da concepção na literatura para examinar o emprego e as funções da autoria, hoje, no contexto televisivo e de streaming, em que emerge a figura do showrunner. O artigo aponta algumas formas de autoria de séries contemporâneas e examina, no caso do showrunner, como uma autoria pode ser construída, por vezes, à guisa de uma grife, ao transferir simbolicamente sua assinatura a obras criadas coletivamente. Por meio da análise da autoria atribuída a Mike Flanagan, discute-se principalmente como crítica e espectadores reconhecem no showrunner uma unidade estilística e temática responsável pela narrativa. Os resultados demonstram que Flanagan se projeta como autor por meio de diversas plataformas digitais ao comentar sobre a produção de suas obras e responder questões do público; na crítica, a atribuição autoral é feita principalmente por meio do reconhecimento de aspectos estilísticos nas séries. Por fim, problematiza-se a atribuição autoral nas séries. Questiona-se se, ao mesmo tempo em que distingue e legitima artisticamente a forma seriada, a noção de autor, ligada à ideia de obra, não acaba por apagar atributos importantes relacionados à criação complexa e coletiva das séries e à sua circulação.
This article discusses authorship in contemporary audiovisual series, investigating how the notion, which is discursively constituted, legitimates the series artistically and proposes approaches for criticism and forms of interaction for viewers. The article recovers the debate on the politics of authors in Cahiers du Cinèma and the concept in literature, to examine the use and functions of authorship in television and streaming context, in which the figure of the showrunner emerges. The article points out some forms of authorship in contemporary series and examines, in the case of the showrunner, how authorship can sometimes be constructed as a brand, by symbolically transferring its signature to works created collectively. Through analysis of the authorship attributed to Mike Flanagan, the article discusses how critics and viewers recognize in the showrunner a stylistic and thematic unit responsible for the narrative. The findings show that Flanagan projects himself as an author across various digital platforms by commenting on the production of his works and answering audiences questions; in critical discourse, authorship is attributed primarily through the recognition of stylistic elements in the series. The authorial attribution in series is then problematized: the question is whether, while artistically distinguishing and legitimizing the serial form, the notion of author, linked to a conception of work, does not end up erasing important attributes related to the complex and collective creation of series and their circulation.
Este artículo analiza la autoría en las series audiovisuales contemporáneas, reflexionando sobre cómo esta noción, construida discursivamente, influye en la legitimación artística de las obras y propone enfoques de crítica y formas de interacción para los espectadores. Parte del debate sobre la política de los autores en Cahiers du Cinéma y su concepción en la literatura para examinar el uso y las funciones de la autoría en el contexto televisivo y de streaming, donde emerge la figura del showrunner. El artículo señala algunas formas de autoría en las series contemporáneas y examina, en el caso del showrunner, cómo la autoría puede construirse a veces como una marca, transfiriendo simbólicamente su sello personal a las obras creadas colectivamente. Mediante el análisis de la autoría atribuida a Flanagan, se discute principalmente cómo críticos y espectadores reconocen en el showrunner una unidad estilística y temática responsable de la narrativa. Los resultados demuestran que Flanagan se proyecta como autor a través de diversas plataformas digitales al comentar la producción de sus obras y responder a las preguntas del público; en la crítica, la autoría se atribuye principalmente mediante el reconocimiento de aspectos estilísticos en las series. Finalmente, se problematiza la atribución de autoría en las series. Se cuestiona si, al distinguir y legitimar artísticamente la forma serial, la noción de autor, vinculada a la idea de obra, no termina por borrar atributos importantes relacionados con la creación compleja y colectiva de las series y su circulación.