Este artigo analisa a teologia da Graça a partir da reflexão de maturidade de J. L. Segundo, com o intuito de resgatar o primado da Graça – o Espírito Santo – dom originário de Deus ao ser humano. Por meio de uma revisão histórico-teológica, mostraremos a inversão ocorrida no Ocidente, que priorizou a graça criada em detrimento da Graça incriada. Evidenciaremos os equívocos e riscos dessa inversão e a necessidade de superá-la. Em seguida, indicaremos que J. L. Segundo, inspirado na teologia joanina e no Concílio Vaticano II, compreende a Graça como presença do Espírito Santo que habita e estrutura a liberdade humana, tornando-a capaz de amar e colaborar no projeto divino de humanização, salvação do ser humano. A proposta aponta para uma compreensão relacional e dinâmica da Graça, que visa superar concepções juridicistas e coisificadas da mesma, com implicações significativas para a antropologia teológica e para a vivência cristã contemporânea.